Em silêncio
a voz se esgota
permanece quieta
até inventar o gesto
que não há na fala
e se desmantela
ocupado pelo eco
que se esparrama
como raízes na língua
desde a infância.
Sem decifrar o silêncio
gruda no pensamento
sem se dar conta
do tempo em movimento.
Às vezes penso
que as palavras
me escapam,
fogem da boca:
refugiam-se no peito
todas congênitas
avessas ao despejo
que encalha entre dentes
alinhavando a sintaxe.
Sozinhas, parecem fornalhas
pondo fogo nos lábios
em nome da linguagem
que o vento aquebranta
quando sussurra sem par
no ouvido da gente.
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