Um dia antes de ser assassinada, escrivã escreveu poema sobre morte

Os pais de escrivã aguardam ansiosamente pela condenação do acusado  (Foto: Gilcilene Araújo/G1)

Um poema descoberto pela família da escrivã Loane Thé, 32 anos, assassinada a facadas dentro da Delegacia da Mulher em Caxias, Maranhão, pode ter sido uma "despedida". Um dia antes do crime, a mãe encontrou um texto escrito pela filha que falava sobre a morte. Para Eliane Maranhão, a jovem estava em um momento feliz e não tinha motivos para escrever sobre o assunto (leia o poema abaixo).

 Escrivã assassinada durante depoimento escreveu poema sobre morte (Foto: G1)
Escrivã assassinada durante depoimento escreveu
poema sobre morte (Foto: G1)

No texto, a escrivã diz que “a morte dá uma lição de vida, mas é um dever de casa que ninguém quer fazer”. O poema foi encontrado em um pedaço de papel dentro da bolsa de Loane. O crime completa um ano nesta sexta-feira (15).

“Acredito que ela estava se despedindo e ao mesmo tempo deixando um recado para nós não sofrermos com a ausência dela. Minha filha estava vivendo um momento lindo, feliz porque há cinco dias tinha noivado. Estava se sentindo realizada com a profissão e não havia motivos para escrever sobre a morte”, afirmou a mãe.

Cinco dias antes do crime acontecer, Loane ficou noiva de Jakson Fonteneles. Ele conta que os momentos que viveram juntos ainda estão guardados na memória. Com olhos marejados, Jakson que também é escrivão, lembra detalhes do dia do crime.

“Trabalhávamos no mesmo prédio no 1º distrito policial e no dia (do crime) uma amiga dela me ligou avisando o que tinha acontecido. Quando cheguei lá, ela ainda estava no chão, a coloquei nos braços e levei para o hospital. Tive que quebrar uma porta que estava fechada e antes da equipe médica iniciar os procedimentos eu a beijei, mas não esperava ser um beijo de despedida”, lembra.

O caso

Os pais de escrivã aguardam ansiosamente pela condenação do acusado  (Foto: Gilcilene Araújo/G1)
Os pais de escrivã aguardam ansiosamente pela
condenação do acusado (Foto: Gilcilene Araújo/G1)

O delegado regional de Caxias, Celson Alvares, afirmou ao G1 que o inquérito foi concluído. Segundo ele, Francisco Alves foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, além da tentativa de homicídio contra uma investigadora. Caso seja condenado, o acusado pode pegar uma pena de até 30 anos de reclusão.

A família de Loane Maranhão ainda aguarda pelo julgamento do acusado. Para preencher o vazio, os pais construiram na residência um memorial onde guarda alguns objetos pessoais da jovem. Neste espaço também há objetos que pertenciam ao irmão de dela, Guilherme Rodrigues. Ele faleceu após a queda de avião monomotor na cabeceira da pista do Aeroporto Petrônio Portela em Teresina.


Fonte: G1

Postar um comentário

0 Comentários