Dinossauro inédito de 20 metros é descoberto durante obra ferroviária no Maranhão

Fósseis encontrados em 2021, durante a terraplanagem de uma ferrovia em Davinópolis (MA), revelaram uma nova espécie de titanossauriforme que viveu há cerca de 120 milhões de anos

Fóssil de dinossauro encontrado em obra de ferrovia em Davinópolis (MA) em 2021 | Foto: Divulgação/Brado

Uma nova espécie de dinossauro foi identificada a partir de fósseis encontrados durante obras de terraplanagem de uma ferrovia em Davinópolis, no Maranhão. O estudo foi publicado no periódico científico Journal of Systematic Palaeontology e descreve o Dasosaurus tocantinensis, um titanossauriforme que viveu há aproximadamente 120 milhões de anos, no período Cretáceo.

Os fragmentos, incluindo fêmur, costelas, ossos do braço e da bacia, foram localizados em outubro de 2021 por trabalhadores da obra. Inicialmente, acreditava-se que pertenciam a preguiças-gigantes, mas análises posteriores confirmaram tratar-se de fósseis muito mais antigos. O animal tinha pescoço longo e podia atingir cerca de 20 metros de comprimento.

Espécie inédita no Brasil

Segundo os pesquisadores, o Dasosaurus tocantinensis é o primeiro titanossauriforme não-titanossauro identificado no Brasil, um dado considerado relevante para a paleontologia sul-americana.

Estudos comparativos indicam que essa linhagem teria se originado na Europa, com posterior dispersão pelo norte da África e pelo Nordeste brasileiro. A análise filogenética reforça hipóteses sobre conexões faunísticas entre continentes durante o Cretáceo, quando as massas terrestres ainda estavam em processo de separação.

Após o resgate, o material foi encaminhado para análise na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará e atualmente integra o acervo do Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão.

Crânio de um Irritator Challengeri - Foto:Divulgação/Twitter/Olof Moleman

Nordeste amplia protagonismo nas pesquisas fósseis

A descoberta se soma a outros achados relevantes no Nordeste, região que abriga formações geológicas ricas e ainda pouco exploradas. A Chapada do Araripe, entre Ceará, Pernambuco e Piauí, é considerada um dos principais sítios fossilíferos do mundo, com destaque para fósseis da Formação Santana.

Entre os achados recentes está o dinossauro carnívoro Aratasaurus museunacionali, anunciado em 2020, que ampliou o conhecimento sobre a diversidade de terópodes no Gondwana. A região é reconhecida internacionalmente pela preservação excepcional de tecidos moles e detalhes anatômicos.

Potencial ainda pouco explorado

Além de Davinópolis, o Maranhão integra uma faixa geológica com alto potencial fossilífero. No Piauí, o Parque Nacional da Serra da Capivara, mais conhecido pelos sítios arqueológicos, também reúne registros paleontológicos relevantes.

Especialistas destacam que as descobertas reforçam o Nordeste como uma das principais fronteiras da paleontologia brasileira. Além do avanço científico, os achados impulsionam pesquisas universitárias, fortalecem acervos regionais, estimulam o turismo científico e valorizam museus locais.

O caso do Dasosaurus tocantinensis mostra que grandes descobertas podem surgir em contextos inesperados, como obras de infraestrutura, e indica que novas espécies ainda podem ser reveladas nos próximos anos.





Fonte: Portal Meio Norte

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